sábado, 16 de novembro de 2013

ARTE DAS CAVERNAS


Rupestre. Você sabe o significado desta palavra? Se você for a um dicionário vai encontrar: “gravado ou traçado na rocha; construído em rochedo”. Entendeu agora?


Então vamos avançar mais um pouco. Se rupestre é algo que foi gravado na rocha, o que você acha que é arte rupestre?


E aí, matou a charada? Se você disse que são pinturas, gravuras ou qualquer representação deste tipo feitas na rocha você acertou! É chamado de arte rupestre o conjunto de figuras encontradas em paredes de cavernas e outros abrigos. Estes desenhos começaram a ser feitos pelos homens há cerca de 40.000 anos atrás. Já nesse período os homens viviam em grutas e cavernas e, em suas paredes, desenhavam cenas de suas vidas, de rituais religiosos, além de plantas, sementes, animais, flechas, astros e... mãos!


É isso mesmo, mãos. Na Patagônia, Argentina, uma caverna guarda em suas paredes desenhos de centenas de mãos. É a chamada Caverna das Mãos, com pinturas que foram feitas há 9.000 anos por índios. Este tesouro da arte rupestre foi descoberto em 1941 por um padre chamado De Agostini. Além dos desenhos de mãos, a caverna apresenta imagens de seres humanos, felinos, emas e outros animais; desenhos geométricos, linhas, pontos e o sol. As figuras aparecem em diferentes cores: vermelho, ocre, amarelo, verde, branco e preto.




Caverna das Mãos


É isso mesmo, mãos. Na Patagônia, Argentina, uma caverna guarda em suas paredes desenhos de centenas de mãos. É a chamada Caverna das Mãos, com pinturas que foram feitas há 9.000 anos por índios. Este tesouro da arte rupestre foi descoberto em 1941 por um padre chamado De Agostini. Além dos desenhos de mãos, a caverna apresenta imagens de seres humanos, felinos, emas e outros animais; desenhos geométricos, linhas, pontos e o sol. As figuras aparecem em diferentes cores: vermelho, ocre, amarelo, verde, branco e preto.


A caverna foi classificada como Monumento Histórico Nacional Argentino. Em 1999, passou a ser considerada Patrimônio Mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).


Aqui no Brasil também já foram encontrados muitos destes registros pré-históricos. Na Serra da Capivara, no estado do Piauí, estão localizados diversos abrigos com paredes repletas de pinturas rupestres.




Serra da Capivara


Em algumas grutas da Chapada Diamantina, região de serra localizada no estado da Bahia, também podem ser vistos desenhos do sol, homens ou registros de contagem de tempo.




Chapada Diamantina


Todos esses registros são importantes, porque nos permitem hoje saber mais sobre a vida dos nossos antepassados, sobre seus costumes e sua forma de ver e representar o mundo. Nestes desenhos, os povos pré-históricos deixaram registrados um pouco do seu tempo.


E você, se fosse desenhar alguma coisa que representasse sua vida ou as coisas que faz e vê em seu dia-a-dia, o que desenharia? Experimente, faça esse registro!


É claro que hoje você não precisa usar rochas para desenhar, mas naquela época esse era o material disponível aos moradores das grutas. E nem pense em pintar as paredes da sua casa! Isso pode render uma bronca daquelas... Pode usar papel ou mesmo o computador, materiais da sua época. Teste suas habilidades artísticas!


Colaboração


Paulo Henrique Colonese e Anna Karla da Silva - Parque da Ciência / Museu da Vida.


Denise Moraes


Fonte: www.invivo.fiocruz.br
Pintura Rupestre





Dos numerosos abrigos que existem no Parque uma parte muito importante apresenta manifestações de atividades gráficas rupestres que, segundo as informações arqueológicas disponíveis e acima citadas, teriam sido realizadas muito cedo na pré-história, por diversos grupos étnicos que habitaram a região.


Durante cerca de doze mil anos, os grupos étnicos que habitaram a região evoluíram culturalmente e as pinturas rupestres constituem um testemunho desta transformação. Pode-se observar esta evolução dos registros gráficos rupestres mediante a identificação de mudanças nas técnicas pictorial ou de gravura empregadas, mas também nas variações dos temas e da maneira como eles são representados. Estas mudanças não são resultado do acaso, mas de uma transformação social gradativa que se manifesta em diferentes aspectos da vida dos grupos humanos, entre os quais está a prática gráfica.
Toca do Arapuá do Gongo
Toca do Arapuá do Gongo


Este costume de se exprimir graficamente é uma manifestação do sistema de comunicação social. Como tal, a representação gráfica é portadora de uma mensagem cujo significado só pode ser compreendido no contexto social no qual foi formulado. Trata-se de uma verdadeira linguagem, na qual o suporte material é composto por elementos icônicos, cuja completa significação perdeu-se definitivamente no tempo por não conhecermos o código social dos grupos que o fizeram. Não podendo decifrar este código, resta uma possibilidade de se conhecer mais sobre os grupos étnicos da pré-história através da identificação dos componentes do sistema gráfico próprio de cada grupo e de suas regras de funcionamento. Efetivamente, cada grupo étnico possui um sistema de comunicação gráfico diferente, com características próprias. Assim, mesmo que não possamos decifrar a sua significação, será possível identificar cada um dos conjuntos gráficos utilizados pelos diferentes grupos. Quando os conjuntos gráficos permitem o reconhecimento de figuras e de composições temáticas, existe também a possibilidade de identificar os elementos do mundo sensível que foram escolhidos para ser representados. Esta escolha é de fundo social sendo também caracterizadora de cada grupo, pois oferece indicadores sobre os elementos do entorno e as temáticas que são valorizadas por cada sociedade.
Nicho policrômico
Nicho policrômico - Toca do Boqueirão da Pedra Furada
As pinturas e gravuras rupestres são então estudadas com a finalidade de poder caracterizar culturalmente as etnias pré-históricas que as realizaram, a partir da reconstituição de um procedimento gráfico de comunicação que faz parte dos respectivos sistemas de comunicação social. Numa segunda instância, este estudo pretende, quando o corpus gráfico em questão fornece os elementos essenciais de reconhecimento, extrair os componentes do mundo sensível que foram escolhidos para fazer parte de tal sistema gráfico. Fica então excluída qualquer possibilidade de interpretação de significados, pois toda afirmação se situaria em um plano de natureza conjectural. Na perspectiva de estudo utilizada entende-se que a cada tradição gráfica rupestre pode associar-se um grupo étnico particular na medida em que se possa segregar conjuntamente outros componentes caracterizadores de natureza cultural, tais como uma indústria lítica tipificada, uma utilização própria do espaço ou formas específicas de enterramentos.
Pintura Rupestre
Toca da Bastiana


Em razão da abundância de sítios e da diversificação de pinturas e gravuras foi possível estabelecer uma classificação preliminar, dividindo-as em cinco tradições, das quais três são de pinturas e duas de gravuras.

As tradições são estabelecidas pelos tipos de grafismos representados e pela proporção relativa que estes tipos guardam entre si. Dentro das tradições podem-se, às vezes, distingüir sub-tradições segundo critérios ligados a diferenças na representação gráfica de um mesmo tema e à distribuição geográfica. Para cada tradição, ou se for o caso, sub-tradição é possível distingüir-se diferentes estilos que são estabelecidos a partir de particularidades que se manifestam no plano da técnica de manufatura gráfica e pelas características da apresentação gráfica da temática.

Duas das tradições, a Nordeste e a Agreste, já puderam ser datadas graças aos resultados das escavações e sondagens.
Toca do Morcego

Toca do Morcego

Na área do Parque Nacional, nos terrenos da bacia sedimentar, domina a tradição Nordeste de pintura rupestre. Ela é caracterizada pela presença de grafismos reconhecíveis (figuras humanas, animais, plantas e objetos) e de grafismos puros, os quais não podem ser identificados. Estas figuras são, muitas vezes, dispostas de modo a representar ações, cujo tema é, às vezes, reconhecível. Os grafismos puros, que não representam elementos conhecidos do mundo sensível, são nítidamente minoritários. As figuras humanas e animais aparecem em proporções iguais e são mais numerosas que as representações de objetos e de figuras fitomorfas. Algumas representações humanas são apresentadas revestidas de atributos culturais, tais como enfeites de cabeça, objetos cerimoniais nas mãos, etc. As composições de grafismos representando ações ligadas seja à vida de todos os dias, seja à cerimonial são abundantes e constituem a especificidade da tradição Nordeste. Quatro temas principais aparecem durante os seis mil anos atestados de existência desta tradição: dança, práticas sexuais, caça e manifestações rituais em torno de uma árvore. São também frequentes as composições gráficas representando ações identificáveis, mas cujo tema não podemos reconhecer; um exemplo deste caso é uma composição na qual uma série de figuras humanas parecem dispostas umas sobre os ombros das outras formando uma pirâmide, que faz evocar uma representação acrobática. Outro tipo de composição gráfica, que se acha com freqüência em todas as sub-tradições da tradição Nordeste, é designada como composição emblemática. Trata-se de figuras dispostas de maneira típica, com posturas e gestos de pouca complexidade gráfica, mas que se repetem sistemáticamente. Uma das composições emblemáticas desta tradição representa duas figuras humanas, colocadas costa contra costa e freqüentemente acompanhadas de um grafismo puro.
Pintura Rupestre
Toca do Salitre

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