sábado, 16 de novembro de 2013

PINTURAS RUPESTRES:



O parque nacional serra da Capivara foi criado em 1979 e, em 1991, declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Localizado no Sudeste do estado do Piauí, em região semi-árida, ele cobre a área dos municípios de São Raimundo Nonato, Brejo do Piauí, Coronel José Dias e João Costa.

A área total do parque se estende por 130 mil hectares dos quais apenas 20% estão abertos à visitação pública. Sítios pré-históricos, 535 ao todo, guardam mais de 30 mil pinturas e gravuras rupestres, retratos do cotidiano do homem pré-histórico que viveu em terras brasileiras.

Alojadas nas paredes dos abrigos e reentrâncias escavadas pela ação do intemperismo, as pinturas, na sua maioria avermelhadas, espalham-se nos paredões de rochas sedimentares, como na já conhecida Toca do Boqueirão da Pedra Furada. As gravuras, por sua vez, adornam freqüentemente a superfície de blocos rochosos isolados próximos às fontes de água estocada das chuvas.

O relevo do local é formado por chapadas, desfiladeiros e serras; o clima é semi-árido e a vegetação de pequeno porte é típica da caatinga. Também pequeno é o porte dos animais daquela fauna: gaviões, tamanduás, jaguatiricas, gatos-do-mato, lagartos, onças-pintadas, cobras e tatus.

Em épocas pré-históricas, as condições ambientais eram bem diferentes da atual. Até 12 mil anos antes do presente, o clima era tropical úmido, responsável pela vegetação abundante, que serviu de fonte de alimentação para inúmeras espécies de animais de grande porte, na sua maioria herbívora: preguiça gigante, tigre-dente-de-sabre, mastodonte e tatu gigante.

Nas pinturas, é possível reconhecer as representações de capivaras, veados galheiros, caranguejos, jacarés e certas espécies de peixes, fonte de alimentação humana, bem como de inúmeras outras espécies hoje inexistentes ou extintas naquela região.

As marcas da presença humana encontradas no parque nacional serra da Capivara contrariam as teorias sobre a ocupação humana do continente americano, segundo as quais o homem chegara ao continente pelo estreito de Behring, há pelo menos 11 mil anos, durante a última glaciação.

Contudo, da década de 1930 em diante, novas evidências arqueológicas encontradas em várias partes do continente, como em Monte Verde, no Chile, dão conta de que grupos humanos habitaram a região há 33 mil anos. Nos Estados Unidos, no estado da Pensilvânia, encontraram-se artefatos arqueológicos com idade estimada em 14 mil anos. As amostras de carvão da toca do boqueirão da pedra Furada, contudo, datadas pelo recurso do carbono-14, superaram os 48 mil anos, o que chamou a atenção de arqueólogos de todo o mundo.

Se bem ainda pouco numerosas, essas novas pesquisas no continente de certa maneira confirmam o recuo das datas da presença humana nas Américas e reforçam a importância dos achados arqueológicos no parque nacional serra da Capivara. O que elas ainda não permitem é precisar as vias de penetração do homem no território e o processo de povoamento.
Pintura Rupestre
Os paredões da serra da Capivara constituíam abrigos naturais para seres humanos pré-históricos. Habitavam-nos, faziam deles acampamento, enterramento de mortos, cerimonial e de caça, aproveitando os animais que vinham beber água das chuvas depositadas nas inúmeras depressões rochosas.
Pintura Rupestre


De formato curioso, o paredão da pedra Furada é um bloco rochoso avermelhado com 60 m de altura e uma perfuração escavada pelo vento ao longo de milhares de anos. Sua base, conhecida como sítio arqueológico Toca do Boqueirão da Pedra Furada, foram descobertos os mais antigos vestígios da presença humana nas Américas, além de um impressionante conjunto que reúne 1 150 pinturas rupestres.

Fonte: www.scipione.com.br
Pintura Rupestre


Pintura em Serranópolis, sudoeste goiano

"A ocupação humana da área que corresponde ao estado de Goiás recua há pelo menos 9.000 a.C. e caracteriza-se por uma diversidade significativa de adaptações a distintos ambientes ecológicos e sociais". (1)

De acordo com registros oficiais (...) conhecem-se atualmente 626 sítios arqueológicos pré-coloniais no estado de Goiás (...) Nos municípios de Caiapônia, Formosa, Serranópolis e Niquelândia já foram registrados entre 31 e 48 sítios (...) (1)

"A maioria dos sítios arqueológicos (431) representa antigos assentamentos ou locais de atividades específicas de grupos ceramistas agricultores. São seguidos por abrigos sob-rocha (207), sendo que em 93 foram registradas pinturas, em 17, gravuras e em 13, gravuras e pinturas. Os sítios líticos a céu aberto registrados estão relacionados em sua maioria com grupos caçadores-coletores, enquanto pelo menos dez podem ser associados a grupos ceramistas. Por fim, conhecem-se 21 lajes e blocos horizontais a céu aberto com gravuras". (1)
Pinturas e gravuras

"'Arte Rupestre' é chamada toda expressão gráfica - gravura ou pintura - que utiliza como suporte uma superfície rochosa, independentemente de sua qualidade e de suas dimensões: podem ser as paredes de abrigos, de grutas ou de penhascos, mas também de rochas isoladas ou agrupadas em campo aberto.

É acervo de pinturas e gravações realizadas pelo homem pré-histórico, usando como fundo ou suporte as rochas.

Certas manifestações de Arte Rupestre remontam a 35.000 anos na França (período pré-figurativo do paleolítico superior), a 26.000 anos na África Austral (gruta Apolo 11, na Namíbia), a mais de 20.000 anos na Austrália (gruta de Koonaldo), 17.000 ou talvez 27.000 anos em São Raimundo Nonato (Piauí), 11.000 anos em Serranópolis (Goiás). Outras mais recentes, chegando até 200 anos atrás". (2)

"Embora se encontrem manifestações de arte rupestre em todos os estados brasileiros, aparentemente ela está concentrada e é mais variada nas áreas secas do Nordeste e Centro do Brasil". (2)

"Em Goiás, estão definidos três estilos de pinturas rupestres, que são o estilo Caiapônia (possivelmente tradição Planalto), o estilo Serranópolis (possivelmente tradição São Francisco) e o conjunto estilístico de Formosa (tradição Geométrica)".

"No município de Serranópolis, estão concentradaos, num espaço de 25 km, aproximadamente 40 abrigos, dos quais ao menos oito apresentam ocupações humanas antigas, cujas datas vão de 11.000 a 8.400 anos (...)"(2)

"Embora existam abrigos pequenos com 100 m2 úteis, a maior parte é grande, podendo chegar até 1500 m2" (2)

"As pinturas provavelmente são feitas por todos os grupos que ocuparam sucessivamente os abrigos, embora não se possa identificar hoje qual dos grupos fez uma figura ou uma gravação determinada. De fato nos instrumentos das camadas mais antigas da ocupação, datados de ao menos 10.500 anos, aparecem manchas de tinta, do mesmo jeito como aparecem nas camadas médias e nas superiores.

A maior parte das pinturas são feitas com pigmentos vermelhos, composições de minerais de ferro. Raramente aparece o amarelo, o preto e o branco.

O que eles representam nas pinturas? Seres vivos e figuras geométricas. Os animais que lhes são próximos, como o lagarto, o tatu, a tartaruga, macaquinhos, o veado, a ema, a seriema, as araras e os papagaios, outras aves. São representados cheios, delineados ou feitos com traços e pontos. Geralmente são estáticos e muitas vezes, justapostos e repetidos, sem formar cenas verdadeiras" (...)(2)

A 200 km de Serranópolis, está Caiapônia e seus grandes chapadões. "As ocupações mais antigas correspondem aos caçadores da fase Paranaíba, tradição Itaparica que, a partir de 11.000 anos atrás, acampavam nas colinas do sopé dos chapadões". (2)

"O que mais se destaca no contexto da pesquisa arqueológica é o estilo de pintura rupestre, que o folclore local atribui a gigantes, mas realmente foi produzido pelos grupos pré-cerâmicos, que ocuparam os abrigos a partir dos últimos onze milênios. Nós o chamamos estilo Caiapônia. Se os moradores de Serranópolis produziram um estilo de pinturas e gravuras onde a estática, a disciplina e a repetição dos elementos predominam, aqui temos um estilo só de pinturas, onde se destaca o movimento, a criatividade e a liberdade". (...)

"Muitas vezes são apenas animais representados com extraordinário realismo: veados, antas, tatus, tartarugas, onças, aves, macacos correndo em círculo, peixes aos pares ou em cardumes, como as piracemas do tempo da seca no Araguaia.

Outras vezes são cenas da vida: homens carregando crianças nos ombros ou nas costas, sustentando pesos, deitados, dançando em grupo, fazendo acrobacias, um casal segurando uma criança. As pequenas figuras humanas, ao redor de 10 cm, representadas com traços simples, mas muito expressivas, geralmente com os órgãos sexuais bem acentuados, freqüentemente usam cocares na cabeça, penachos nas nádegas e armas nas mãos: entre estas podem-se distinguir perfeitamente porretes e lança-dardos" (...)(2)

Bibliografia

(1) -Wüst, Irmhild. A Ocupação de Goiás antes da chegada do europeu (Goiás Pré-Colonial). In.: Rocha, Leandro Mendes. Atlas Histórico Goiás Pré-Colonial e Colonial. Goiânia: Cecab Editora, 2001.

(2) -Schmitz, Pedro Ignácio, e al. Arte Rupestre no Centro do Brasil - Pinturas e Gravuras da Pré-História de Goiás e Oeste da Bahia. São Leopoldo: Unisinos, 1984.

Fonte: www2.ucg.br

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