sábado, 26 de outubro de 2013

AS PINTURAS RUPESTRES E A QUESTÃO IDEOLÓGICA




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Estamos acostumados a acreditar que determinados termos e conceitos são privilégios de nosso tempo. E que há muito tempo atrás os humanos viviam privados destes conceitos por nós hoje cifrados, deslindados e desmistificados. Ideologia é um destes termos
Desde tempos imemoriais os primeiros habitantes do país têm ideologia.
As pinturas rupestres do Brasil são um forte indicio de que entre estes habitantes a ideologia era transmitida e coletivizada.
Como o é hoje entre nós. Por meio de instituições sociais (como a escola, a igreja, os cultos religiosos em geral, os partidos políticos, sindicatos e outras agremiações sociais). Sem esquecer da mídia e da cultura.
As pinturas representariam esta parte para estes habitantes. A da cultura e ou da mídia daquela época.
Em todas as nossas ações, seja elas quais forem, cotidianas há questões profundamente ideológicas. E a ação de pintar as rochas há mais de 12 mil anos atras não deixava de ser também. Isto porque elas são as marcas. E fizeram isto de variadas formas, estilos e tradições. Segundo os arqueólogos. Espalhados por todo o território nacional.
Elas nos transmitem as idéias, os sentimentos e as emoções vividas por humanos há milhares de anos atras. (SERVICE, 1971: 88)
As pinturas talvez sejam as marcas que mais chamem mais a atenção. Entre os vestígios deixados pelos humanos do período. Cientistas, leigos, amadores e curiosos de todas as extirpes sociais e procedências econômicas já refletiram sobre elas.
Para contribuir todos têm uma interpretação. Interpretação que é também ideológica. Para o momento em que foram feitas.
Os produtores/artistas e seus acompanhantes de grupo também tinham as suas interpretações e, consequentemente, uma ideologia a respeito do mundo que os cercava. Apoiando suas reflexões nas pinturas.
Elas seriam, então, uma arte popular onde todos poderiam apreciar, opinar e praticar. Pois o significado era do conhecimento de todos. Diferente do que ocorre hoje com as artes onde somente alguns têm acesso tanto ao conhecimento de seus significados, quanto ao fazer e ou opinar.(IDEM , 99) Principalmente no tocante as belas artes eruditas (teatro, cinema, pintura, escultura, música, entre outras). A maioria da população ainda esta excluída deste conhecimento e participação social.
Assim reporto-me a Ciro Marcondes Filho, quando diz que: A arte de maneira geral inclui uma mensagem. (MARCONDES, 1997: 64) As pinturas rupestres teriam esta capacidade. Capacidade de transmitirem mensagens por meio de suas formas. E ainda elas reproduziriam os sentimentos dos artistas.
As pinturas também tinham como função informar aquilo que a linguagem verbal não conseguia. Como ocorre ainda hoje. Onde nem tudo que sabemos ou recebemos como informação e ou conhecimento é por meio, exclusivamente, verbal.
Elas, as pinturas, colaboravam muito com as sociedades e ou grupos, pois com a compreensão das informações ali plasmadas as sociedades teriam mais condições de não sucumbirem frente aos problemas que encontravam. (IDEM, 68)
As pinturas, ainda, indicavam o mundo em que os artistas e seus receptores viviam. Transmitindo as posições políticas e estéticas dos grupos em suas imagens. Os valores filosóficos, morais e religiosos a serem seguidos pelas sociedades. Visto que nas imagens observamos caminhadas, cerimoniais, rituais, sexo, trocas, entre outros motivos sociais dos grupos. (IDEM, 69)
Os artistas das pinturas já tinham uma ideologia formada a respeito de como agir, pensar e reagir neste mundo. Isto porque eles transmitiam seus intuitos por meio destas imagens. Imagens que eram socialmente compartilhadas. (IDEM, 72)
Ainda segundo Marcondes: “Não há arte sem ideologia: afirmar ao contrario seria o mesmo que dizer que há arte sem a participação do autor. Participação do autor significa exprimir, com linguagem artística, sua relação com o mundo, seus conflitos e sentimentos.” (IDEM, 72/73)
Então as pinturas rupestres mostram-nos que existiam os sentimentos dos autores em suas imagens. Elas teriam múltiplas funções.
Elas teriam funções por exemplo: comunicacionais, econômicas, religiosas, culturais, entre outras.
Eram de grande complexidade. O oposto do que dizem ainda alguns especialistas sobre a funcionalidade das pinturas. Creditam a elas apenas uma função. A religiosa, por exemplo, que é a mais apontada.
Teriam os primeiros grupos habitantes do Brasil menos condições mentais que nós hoje? Isto é um erro porque, como já afirmou Richard Leakey,
“o saber e o conhecimento tecnológico se acumulam através de tradição cultural, de forma que a distância material que divide as sociedades afluentes do século XX da sociedade dos antigos caçadores e coletores, ou seja 50 mil anos, por exemplo, não é equivalente a uma distância intelectual inata. No momento, somos o mesmo animal que éramos há 50 milênios; simplesmente sabemos mais agora do que sabíamos antes.” (LEAKEY, 1988: 154)
Então, seria um descaso nosso acreditar que temos mais condições mentais hoje. E que por isso interpretamos nossas construções ideológicas melhor que eles ontem.
Provavelmente, as pinturas foram usadas, ideologicamente, por mais de um grupo. E também em momentos muito distantes no tempo. As vezes mais de mil anos depois. Nestes tempos remotos tudo leva a crer que usaram as pinturas com outras funções que nem imaginamos. Mas o importante é que com certeza tinham um fim ideológico e pensado. (MARCONDES, 80/81)





As primeiras obras de arte datam do período Paleolítico. Entre as obras mais antigas já encontradas estão pequenas estátuas humanas como, por exemplo, a Vênus de Willendorf (aproximadamente 25000 a.C.). Os mais conhecidos conjuntos de pinturas em cavernas ( arte rupestre ) estão em Altamira, na Espanha e datam de 30000 a.C. a 12000 a.C.; e em Lascaux, na França de 15000 a.C. a 10000 a.C. , onde se encontram pinturas rupestres de animais pré-históricos como: cavalos, bisões, rinocerontes. Estas pinturas indicam rituais pré-históricos ligados à caça. As imagens demonstram um naturalismo e evoluem da monocromia à policromia entre os anos de 15000 a.C. a 9000 a.C.



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